quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Can You Be Mine. (Sixteenth)

16º  Capitulo

  Não vi quanto tempo passou depois que me puseram para fora do quarto, mas tenho a impressão de que foi muito tempo, tempo o suficiente para Agatha chegar acompanhada de Ian e Luke.
  Ela estava em prantos quando veio me abraçar, abraço o qual eu jamais recusaria, principalmente agora que...

 -NÃO!! AGATHA O QUE EU VOU FAZER AGORA? ME DIZ!! –impossível era conter as lágrimas que escorriam pelo meu rosto, molhando todo o ombro dela –EU NÃO SEI O QUE FAZER AGATHA!
 -POR FAVOR, MARGIE! PARE! EU ESTOU AQUI COM VOCÊ! EU SEI. AI MEU DEUS! COMO EU SEI O QUE É FICAR SEM OS PAIS! E OLHE PRA MIM! –ela não continha as lágrimas e nem terminou sua frase.

  Agatha sempre fora mais forte que eu, mesmo quando nós duas tínhamos nossos pais. Aquela fase em que tudo é culpa deles, e a revolta é nossa. Ela passou tranquila por isso, e me ajudou tanto. E agora outra vez ela está me ajudando a passar por algo que ela já passou e foi tão forte.
  Ser forte. Ser forte não é a minha praia. Eu prefiro me afogar em minhas lágrimas, e deixar claro como sou fraca. Mas isso se torna impossível nos braços de Agatha.
  Senti outro par de mãos afagarem minhas costas. Mãos pequenas e leves, acostumadas a consolar meninas fracas. Virei-me e vi uma enfermeira baixinha e robusta, no crachá “Silvya”. A reconheci de quando minha mãe foi internada, ela estava lá pouco antes de eu cair nos braços de Luke.

 -Pequena Margo. –em seus olhos havia muita dor, dor sincera –Eu sinto tanto pela sua perda.

  Apenas assenti, o que eu poderia dizer? “Ah, obrigada, eu também sinto” insensível.
  Ela me tirou dos braços de Agatha, eu quis protestar contra aquilo, mas sabia que eu precisava ouvir algo que só eu precisava ouvir. Agatha voltou para os braços de Ian, e vi Luke se levantar e perguntar algo pra ela, que ela negou com um aceno de cabeça.

 -Margo, eu fiz tanto pela sua mãe. –Ela começou depois de me levar para uma sala –Eu media os batimentos dela toda vez; as poucas vezes que você não veio passar as noites com ela, eu ficava, não querendo tomar seu lugar, pelo amor de Deus, não pense isso! Mas eu apenas ficava de olho, porque se ela acordasse e procurasse por você? Se isso acontecesse eu estaria lá para dizer que você voltou pra casa para descansar depois de muito insistirem.

  Eu não sabia o que dizer. Eu nem sequer sabia o nome dela, e ela havia feito tanto por mim, feito tanto pela minha mãe. As lágrimas que não tinham parado tomaram velocidade e embaçou por completo minhas vistas, tanto que precisei baixar a cabeça.
  Ela me deu um beijo no alto da cabeça, e saiu. E eu fiquei sozinha, só eu e minha dor. Uma dor indescritível, indesejável.
  Não por muito tempo.

 -Oi? –era ele, e eu precisava dele.
  Virei-me e tentei sorrir em meio ao choro
 -Oi.
  Ele veio até mim, e me abraçou. E fiquei abraçada, e envolvida em seus braços, era como se nada mais pudesse me atingir.
  Ele acariciava meus cabelos sem tirar o rosto dos meus ombros.
 -Tiago.
  Olhei pra ele confusa.
 -O que?
 -Meu nome. Não é Luke, é Marshaw Lukerman.
 -E você só gosta de Luke?
 -Sim, só de Luke.
 -Gosto de Marshaw.
 -E eu gosto de você.

  Ah, Luke, pensei, não me faça querer beijá-lo agora, não é hora pra isso.

  Com a cabeça em seu peito, me pus a chorar outra vez, ignorando a vergonha e soluçando alto, no meio do abraço apertado, apertando cada vez mais sua cintura.
  Ele segurou meu rosto de modo que nos encarássemos, olhos nos olhos. Aqueles olhos me levando para longe de tudo, me levando para longe do mundo. E nossos lábios –finalmente –se tocaram.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Can You Be Mine. (Fifteenth)

15º  Capitulo

  Desço correndo, pois ouço um estrondo vindo da cozinha, e como não vejo Agatha no quarto, já posso imaginar o estrago que ela fez lá embaixo.
  Copos e pratos que antes estavam no balcão, como minha mãe gostava, agora estavam no chão, e em cima da mesa tinha...
 -UM GATO? POR QUE TEM UM GATO EM CIMA DA MESA AGATHA!? –gritei pra ela.
 -PORQUE ELE SUBIU AÍ! EU JURO, EU COLOQUEI ELE NO CHÃO! –ela gritou de volta.
  Não pude conter o riso.
 -Agatha, vou reformular a pergunta. Porque tem um gato na minha casa? Você sabe que eu não gosto de gatos.
 -Qualé, Margozinha?! –olhei pra trás surpresa, definitivamente aquelas palavras não tinham saído da boca de Agatha.
 -IAN? COMO FOI QUE VOCÊ ENTROU AQUI? E PORQUE VOCÊ TÁ AQUI? –ele gesticulou para falar, mas eu o interrompi com um gesto –Não. Nem precisa. Agatha, tudo bem você trazer ele pra cá, mas você ter um gato, não significa que eu precise de um gato.
 -Mas foi eu quem te trouxe o gato, Margozinha.
 -Para de me chamar assim, Ian! E porque você acha que eu ia querer um gato?
 -Você mal sai de casa, Margozinha. Precisa de companhia, já que pretendo levar sua amiguinha pra dar umas voltas. –Ele tinha um pesado tom de malícia na voz.
 -Porque você se refere às pessoas no diminutivo, Ianzinho?
 -Você não gosta, gatinha?
 -AH! PELO AMOR DE DEUS! COMO VOCÊ AGUENTA AGATHA? VOLTA PRA SALA DE ARTES COM A FRAN, IAN!
 -VOCÊ SE LEMBRA DISSO, NÃO É?! EU SABIA QUE QUERIA TER FICADO LÁ COM A GENTE!
 -Eu sou muito educada, por isso não vou te mandar tomar no cu.
  Peguei o gato no colo e voltei para o meu quarto.
  Sentei na cama de frente pro gato e ficamos encarando um ao outro.
 -Já que é meu, precisa de um nome, não acha?
  Ele miou e eu ri. Pensei por uns instantes enquanto o bichano me olhava com aqueles olhinhos verdes, eu acho, curiosos brilhando em meio aquele monte de pelo tão preto quanto a noite.
-Bond. Tipo, James Bond. Esse vai ser seu nome bichano. O que acha? –ele se levantou e veio até a mim, um ato de aprovação, eu acho. –Ta bom ta bom. Mas sem muitas proximidades, gatinho, ainda não nos conhecemos direito.
  Peguei um livro que estava embaixo da cama, Assassinato no Expresso do Oriente, (Agatha Christie) e me perguntei porque aquele livro estava embaixo da cama. Comecei a ler e me perdi, só parei quando eu terminei, e a propósito, foi tempo suficiente pra Agatha dar umas “voltinhas” com Ian, porque quando desci pra comer alguma coisa, eles haviam acabado de entrar em casa e estavam rindo e se acariciando. Eca.
 -Como foi a voltinha de vocês? –perguntei enquanto descascava uma laranja.
 -Ah minha cara, -Ian quem falou –você só saberia se estivesse com a gente. –e sorriu.
 -Ian! Nós fomos à sorveteria, Margie. Foi bem gostoso. –Eles se entreolharam e ela riu.
 -Trinta e sete milhões novecentos e noventa e cinco mil trezentos e vinte e dois ECAS pra vocês dois. Vem Bond, vamos lá pra fora. –Saí pela porta antes de ouvir a resposta deles, mas voltei pra perguntar: No hospital permitem a entrada de animais?
 -E depois disse que não gosta de gatos. Precisa formar uma opinião sobre isso, Margozinha.
 -Ah! Cale a boca Ian! Cale a boca.
  E fui, mesmo sem saber se Bond entraria, para o hospital ver minha mãe.


  Mal fui chegando no hospital e um segurança já veio me parando dizendo que animais não são permitidos. E na verdade, fiquei surpresa ao olhar pra baixo e ver que Bond havia me seguido.



 -Ah, esse gato! –disse pro segurança alto e forte –Ganhei hoje. Não queria que ele viesse. Olha ele pra mim enquanto faço uma visita rápida à minha mãe.
  E saí correndo pra dentro do hospital. Ninguém veio atrás de mim, no fim das contas o segurança fortão era fã de gatinhos.
  Cheguei ao quarto dela. Me sentei na cadeira perto de sua cama e falei com ela
 -Oi mãe. Que saudade de você. Aconteceu tanta coisa essa semana. Desculpa eu não ter vindo aqui esses dois últimos dias. Mas você não vai acreditar no que aconteceu! Agatha me deu um gato! Sério, foi horrível mãe! Aquele bicho em cima da mesa, e quebrou seus pratos e copos, mas eu prometo vou comprar outros...

  E de repente, todos os aparelhos ligados nela começaram a piscar continuamente e a fazer um barulho ensurdecedor e eu me desesperei e comecei a chorar e então a enfermeira entrou e mandou que eu saísse do quarto imediatamente. Eu não queria, mas tive que obedecer, e então saí e fiquei olhando pela janela, mas a maldita fechou a cortina.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Can You Be Mine. (Fourteenth)

  14º  Capitulo

Para minha sorte, as festas de fim de ano foram como queria que fossem, nas atuais circunstâncias.
  Não recebi a visita da minha vó (graças à Deus) e nem de ninguém. No natal estava no hospital com minha mãe e na virada de ano também. Na verdade passei a semana inteira no hospital. Agatha vi somente algumas vezes e não vi Luke nem Ian durante esse tempo todo.
  Minha mãe não deu sinal de melhora.

_________

  Agora estou em casa outra vez, acabo de acordar e estou tomando café e me preparando pra ir pro hospital, então a campainha toca e Agatha entra.
 -Oi -cumprimentei ela.
 -Oi.
  Ela se senta a mesa e toma café comigo. Ficamos em silêncio até que ela diz:
 -Eu disse pro Ian que eu te beijei.
  Ergo os olhos
 -Porque?
 -Ele havia me perguntado se eu já fiz alguma coisa estranha e então eu disse isso. Foi estranho.
 -Eu sei -eu ri. -E o que ele disse?
  Ela finge uma voz grossa enquanto diz:
 -"Acho muito sexy garotas que beijam outras garotas"
 -Ele disse isso? -mordo o pão- Ele é doido -rimos.
 -Sim ele disse, e disse que quando você parar de ir no hosp... -ela se calou. -Deixa pra lá.
 -Quando eu parar de ir no hospital? O que vai acontecer?
 -Não, deixa. Você não vai parar e não é nenhum problema. É sua mãe.
 -Agatha, nós duas sabemos que eu vou parar de ir pro hospital. O que vai rolar quando eu parar?
 -Porque você ficou assim, Margie? Você sempre foi tão extrovertida. Quando chegou aqui entendi que estava acanhada por ser nova, mas de lá pra cá mudou tudo, você fala com bastante gente, ta até fumando e me fez fumar também. Eu gosto, você gosta. Isso nos corroê por dentro, mas você se corroê de maneira muito pior que o cigarro. Você fica dizendo que sua mãe vai morrer, fica dizendo que vai parar de um jeito ou de outro de ir no hospital. E depois você fica largada pelos cantos da casa sem querer falar com ninguém com uma garrafa de alguma coisa. E sabe quem mais sai corroído na história? Luke. O Luke também tem se corroído, porque ele nunca sabe quando você vai querer falar com ele. Ele gosta de você mas não sabe se você gosta dele.
 -Foi ele quem te disse isso?
 -Não, eu acho que ele gosta de você. E o Ian também acha.
 -Então pronto, ele não precisa saber o que eu sinto por ele, porque eu também não sei o que ele sente por mim.
 -Tem razão.
 -Então, me diga, o que é que vai acontecer quando eu parar de frequentar o hospital?
 -Eu também não sei. -Ela disse e riu.
 -O que? Como assim? Ele não te disse? Espera aí. Vocês estão namorando?
 -An? O que? De forma alguma, ai meu Deus, Margo que coisa doida. De onde tirou isso?
 -AHAAAAA!! VOCÊ FICOU VERMELHA!!! VOCÊS ESTÃO JUNTOS!!! -Subi na cadeira. -AGATHA E IAN JUNTOS MINHA GENTE!!!!
 -MARGO!! DESSE DAÍ DESGRAÇADA! EU NÃO TO COM NINGUÉM NÃO!!! Nós somos apenas.. Bons amigos.
 -Bons amigos é!? Só isso?
 -Sim, já beijei ele.
 -Bons amigos não se beijam.
 -Então o que nós somos?
 -Nós somos BOAS AMIGAS!!
 -Qual a diferença?
 -Eu não tenho um pinto.
 -Boa.

  Depois de muito insistir na relação "Agathian", desisto. Vamos para meu quarto. Vou tomar banho enquanto Agatha me espera no quarto.
  Saio após uns 10 minutos, os cabelos molhados, já vestida.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Can You Be Mine. (Thirteenth)

13º  Capitulo

  Sim, talvez, quem sabe, tudo esteja voltando ao normal depois de uma longa semana. Menos minha mãe, que só piora. Seus batimentos cardíacos, que antes estavam estáveis, agora estão bem acelerados; os médicos insistem em me dizer que está tudo bem, mas eu sei que não está.
  Faltam alguns dias para o natal, e eu recebo uma ligação de um número desconhecido.
  “Ao menos não é do hospital.”
 -Alô? –atendi.
 -Margo?
 -VÓ TINA?!!?!?!?
 -Sim meu amor! É a vovó!!
 -Ai meu Deus vó!!! A que devo a honra de sua ligação? –tentei parecer animada.
 -Estou ligando para dizer que o vovô e eu estamos indo passar o natal com vocês!!
 -Comigo e com a Agatha?
 -Agatha está aí? Tudo bem! Com Agatha, você e sua mãe!
  Eu queria dizer a ela que não tem natal com minha mãe, que não tem ceia de natal sem minha mãe, que minha mãe está morrendo no hospital, mas o choque de saber que ela não sabe sobre o estado da minha mãe me fez congelar.
 -Margo? Querida? Ainda está aí?
 -Sim, vó. Desculpe.
 -Então passe para sua mãe pra eu tratar das coisas da ceia com ela.
  Agora eu quero gritar.
 -Vó, a senhora não sabe né?
 -O que eu não sei querida? –seu tom era o mesmo ainda.
  Respirei fundo e joguei:
 -Vó, olha, não sei porque ela não havia te dito, tudo bem? Eu quero que a senhora não me culpe, porque eu não fazia ideia de que a senhora não sabia.
 -O que eu...
 -Deixa eu terminar. Minha mãe está internada. Ela ta com uma depressão profunda, dessas que o paciente escolhe ficar inconciente. Que é cedado para não sentir nada. Mas não pelos médicos, pelo proprio cérebro. Vó não vai ter natal! Não vai ter ceia! NÃO VAI TER NATAL SE EU NÃO TIVER MINHA MÃE. E POR FAVOR, EU NÃO PRECISO DA SENHORA AQUI COMIGO TA BOM? EU TE AMO, MAS EU TO BEM. EU QUERO FICAR AQUI. SEM NINGUÉM. SE EU PUDESSE, ATÉ SEM A AGATHA EU FICARIA, MAS NÃO DÁ. ELA VAI FICAR. MAS LONGE DE MIM –é claro que ela não ficaria longe de mim, qanto mais perto de Agatha, melhor pra mim. É obvio que eu preciso da minha avó, mas ela não precisa ver como minha mãe está. Ela não precisa sofrer. É natal.
 -Tudo bem, eu entendo –ela estava chorando –você já está grandinha né?! Eu te amo.
 -Eu também. Eu te amo muito vó.
  Agora só Deus sabe o que está acontecendo lá.
  Pego uma das garrafas que Agatha havia me dado, um maço de cigarros e vou para o quarto da minha mãe. Fecho a porta e escancaro a janela. Coloco os fones no ouvido, e fico deitada no chão, fumando e bebendo ao som de BonJovi.
  Posso ouvir alguém me chamando desesperadamente lá embaixo, ignoro o som. Até que Luke aparece na janela do quarto e eu o encaro.
 -Como sabia que eu estaria no quarto da minha mãe? –eu disse.
 -Na verdade, eu não sabia. Essa era a janela mais fácil de subir. –ele sorriu, até olhar para as garrafas. –Você ta bebendo e nem me chamou?
 -Na verdade, queria beber tudo sozinha.
 -Afogar suas mágoas?
 -Talvez até me afogar...
 -Margo, você não fazia nada dessas coisas quando chegou aqui. Quando eu te conheci, você me olhava diferente, você até me perguntou se fumar fazia você passar mal. E agora você tá com um maço de cigarros e garrafas de bebida junto de você. O que aconteceu?
 -Você lembra de quando nos conhecemos? –fugi da pergunta porque quis.
 -Você acha que eu me esqueceria? A menina nova e tímida que chegou na escola e ficou andando de um lado pro outro pra decorar os caminhos das salas de aula, e... me pediu desculpas por não fumar. –ele riu.
 -EI! –ri junto dele. –Não é justo, eu te achei um gato e fiquei com muita vergonha quando você veio falar comigo. Você foi um colírio para os meus... –parei de falar quando percebi o que havia falado. Ele estava me olhando fundo nos olhos.
  Ele balançou a cabeça como siando de um devaneio e disse:
 -Um colírio para os seus olhos? Olha, não posso negar, eu também te achei bem bonitinha.
 -Bonitinha? Só isso?
 -Ah, eu sou homem, não posso sair dizendo pra todas as garotas gatas que eu as acho muito gatas. Então, só bonitinha.

   Eu queria muito beijá-lo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Can You Be Mine. (Twelfth)

12º  Capitulo


Sentada a mesa, perdida em pensamento que não percebi quando Agatha entrou.
  Senta-se em minha frente, inclinando-se em minha direção. Abro a boca para perguntar o que ela esta fazendo, mas minhas palavras se perdem no momento em que seus lábios se juntam aos meus.
  Eu sei. Eu sei. Eu tenho que expulsa-la e dizer pra sumir da minha vida e que isso é uma falta de respeito, mas eu não faço. Eu não quero. Ao invés disso inclino-me de modo que ficamos ainda mais próximas, a mão que antes segurava um cigarro, que chegava no fim, agora envolve seu pescoço. 
  Estou quebrando regras porque é pra isso que elas servem. Garotas não devem beijar outras garotas, mas mães e pais não devem abandonar suas filhas. Todos quebram regras.


Posso ouvir bem no fundo da minha mente uma vozinha dizendo que eu devo parar. Mas forço-me a continuar até que  ela mesma pare.
  E não demora a acontecer. Ela se afasta. E me recosto em minha cadeira e ela na dela. Nos encaramos por alguns míseros segundos, mas pareceram longas horas.y
 -Não vai surtar ou me mandar embora? -ela disse cruzando os braços.
 -O que? Só por ter me beijado?
 -Você também me beijou. Mas sim é por isso.
 -Quem é que não quer beijar Agatha Fieldman?
 -Talvez você não quisesse.
 -É talvez eu não quisesse. Mas eu quis. Onde você tava?
 -Estava com Ian.
  Com Ian? Então eu fico desacordada algumas horas e eles viram melhores amigos para sempre? Ergo a sobrancelha e digo
 -Ah! Já sei! Não gostou do beijo dele e resolveu ver se Margo Fields beija melhor?!
  Nós rimos.
 -Na verdade vim atras de Luke. Mas só encontrei você. Serviu.
 -Ah! Considerações finais, Srta Fieldman?
 -Você pode melhorar.
 -Experimente beijar outras garotas. Meu beijo será o melhor.
 -Quem sabe.
 -É. Mas, não quero falar com você agora, Agatha. Nem hoje. Amanhã, quem sabe...?
 -Você... Ah não! -ela ri debochando da minha cara.- Vou perguntar. Porque Margo?
  Jogo a cabeça pra tras forçando uma gargalhada.
 -Já dizia Jake Bugg "Eu bebo para lembrar. Eu fumo para esquecer". Tem fumado bastante né? Já esqueceu o que escondeu de mim?
  -Quem diria. Margo Fields. A garota canadense que sempre entende as outras pessoas... VOCÊ EM ALGUM MOMENTO SE COLOCOU EM MEU LUGAR?- ela esta de pé gritando comigo.- TOMA -ela coloca uma sacola com bebidas na mesa- BEBA PARA LEMBRAR, QUE ANOS ATRAS QUEM PERDEU OS PAIS FUI EU. BEBA PARA LEMBRAR QUE EU NUNCA FALEI SOBRE ISSO. BEBA PARA LEMBRAR QUE NÃO IMPORTAM AS CONSEQUÊNCIAS EU FARIA E FAREI TUDO PRA TE PROTEGER DE QUALQUER COISA QUE VA TE FAZER MAL. BEBA PARA LEMBRAR, e por favor Margo, lembre-se de que sou sua melhor amiga. Você perdeu seu pai. Ta perdendo sua mãe. E eu? Você também quer me perder, Margie?
  Fechos os olhos e respiro fundo.
  Ela estava certa. Agatha sempre está certa. Eu nunca a vi chorando pela morte dos pais desde o enterro deles. Ela é minha melhor amiga. E ela sempre me protegeu. É a unica pessoa que me sobrou. A unica em que posso confiar.
  Abro os olhos e encontro os dela.
 -Você não vai dizer a ninguém que eu disse que não queria falar com você hoje?
  Ela sorriu.
 -Não. Eu não vou.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Can You Be Mine. (Eleventh)

11º  Capitulo

Margo's POV (again)

  Foi a pior sensação do mundo ver Agatha daquele jeito. Ela estava em prantos, mas o que eu podia fazer? Ela escondeu de mim, e por mais que agora eu precisasse do abraco dela, eu me nego a receber seu abraço, agora não há nada no mundo que me faça aceita-la novamente. Talvez amanhã ou depois. Mas agora não.
  Posso ouvir Luke gritando, e penso o que pode estar acontecendo lá fora. Olho pra minha mãe como se pedindo permissão para sair e imagino ela me dizendo "Tudo bem filha. Pode ir lá." Sussurro pra ela: "Não saia daqui, eu ja volto" e as lagrimas voltam ao meu rosto quando lembro que ela não pode sequer ouvir minhas palavras. Dou um beijo e sua testa e saio para encontrar Luke com o dedo na cara de uma enfermeira
 -VOCÊ NÃO PODE DIZER O QUE EU DEVO OU NÃO FAZER. Mas por favor. Eu preciso ver ela. -agora seus braços estavam nos ombros da enfermeira e seu olhar era de suplica.- Por favor!
 -Meu jovem, eu não posso fazer nada. Ela não quer sair de perto da mãe e não quer... -Os olhos de Luke encontram os meus e isso me levou de volta a primeira vez que o vi, aquele dia ele estava com olhos maliciosos e curiosos. Hoje seus olhos de lobo estampam dor. E eu não entendo porque. Quem ta sofrendo com a mãe no hospital sou eu.
  Ele vem até onde estou e me aconchego em seus braços. Até lembrar que ele não tem direito de me abraçar e sofrer comigo.
 -PARA. PARA. -soltei-me do abraço depressa- Não quero seu consolo. Não quero. Eu já disse. Eu quero saber o seu nome.
 -Margo! Por favor. Olha pra mim. Isso não é motivo pra você se irritar agora. 
 -Tudo é motivo pra me irritar Luke!  Você não percebe? Olha o estado da minha mãe! Minha melhor amiga me escondeu isso Luke! Você ainda acha que eu não posso me irritar  com o que eu quiser?
 -Margo... -olhei pra porta e esqueci que Luke estava comigo, esqueci que ele acabara de me chamar e só vi Agatha se encaminhando em minha direção. Mas só vi isso mesmo. Depois não sei de mais nada. Só senti alguém se esforçando pra me levar para algum lugar e perdi totalmente os sentidos. 
  Não sei por quanto tempo fiquei desacordada, e pouco me interessa. Sei só que eu queria continuar dormindo porque encontrei minha mãe saudável, sorridente e vaidosa como sempre. Tão linda abraçada ao meu pai. Meu pai alto e charmoso... Mas eu acordei.  Acordei e encontrei minha mãe na sua cama, pálida, sem nenhum sinal da mulher que eu havia sonhado. Sem meu pai. E doeu. Doeu muito porque eu sabia, que a chance de passar o primeiro natal sem meus pais eram bem grandes.   
  Me encostei na janela imersa em pensamentos. O sol estava brilhando forte, então olhei para o relógio na parede onde marcava 15h45.
  Eu queria ficar ali com minha mãe o tempo todo, mas só me restavam 15 minutos. Eles não me deixariam ficar ali por mais tempo. Fui me despedir dela.
 -Mamãe, eu tenho que ir embora agora. Eu não quero ir. Quero ficar com você, mas eu não posso. Não vão me deixar ficar aqui. E eu tenho que fazer lição e arrumar a casa e fazer comida, porque logo você vai voltar pra casa. –uma lágrima rolou de meu rosto e pingou no lençol deixando uma mancha molhada onde pingara- Eu sei que você vai voltar logo. Eu te amo! Até amanhã.

  Voltei pra casa com um maço de cigarros e muitos litros de lágrimas pra por pra fora.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Can You Be Mine. (Tenth)

10º  Capitulo

  Sei que Luke não estava errado. Sei que ele tinha toda razão. Mas não me daria ao luxo de dizer isso a ele. 
  Já era grande demais o fardo da culpa que estou carregando comigo pra dar esse prazer a ele.
  Fui andando sem direção, literalmente, porque não faço ideia de como andar aqui sem Margo.
  Cheguei a um ponto calmo, uma relíquia deste lugar. Sentei-me a beira do lago e peguei o cigarro que ganhei de Margo ontem. Procuro em minha bolsa um isqueiro e acendo o outro. Coloco em minha boca e pela primeira vez entendo o que Margo quis dizer com "o cigarro é meu novo esconderijo".

  É uma sensação divina sentir a nicotina enchendo meu sistema respiratório, porque é impossível fazer com que ela volte, e seu ultimo vestígio se torna a fumaça que sopro para o céu. Permaneço ali. Até meu cigarro chegar ao fim.
  Levanto-me e volto me equilibrando na beira das calçadas até chegar em casa. E é onde tudo começa outra vez.
  Encontro Margo e Luke sentados na mesa, e quando abro a porta ambos me fuzilam com seus olhares. Viro e saio novamente.
  Depois de comprar cigarros em uma loja de conveniência que tem ao fim da rua, volto para a relíquia e encontro Ian lá...

 -O que você ta fazendo aqui? -perguntei incrédula. 
 -O que estou fazendo aqui? Eu sempre venho aqui.
  Me sentei ao lado dele.
 -Achei que ninguém conhecia esse lugar...
 -Bem, eu conheço. E você conhece. Pode ser nosso lugar o que acha?
  Acendi um cigarro do meu novo maço de cigarros, e ofereci a ele, que pegou sem pensar duas vezes.
 -Não acho que deveria ser nosso lugar- disse colocando o cigarro na boca.
 -E porque não?
 -Não sei. -Mentira. Eu sabia sim. Não temos motivos pra ter um lugar; Margo não ia gostar; e "ser nosso lugar" soa muito romântico. Não sou de romancezinhos.- Por enquanto não.
  Ele riu
 -Eu não me importo em ter que te beijar se for pra ter um lugar nosso.
  Acompanho-o em seu riso contagiante
 -Então você lê pensamentos...
 -Ah! Você quer mesmo que eu te beije. Não precisava de toda essa enrolação, era só ter dito...
 -Ah -disse enquanto soltava a fumaça- e você acha mesmo que eu sendo eu vou beijar uma boca cheia de saliva de loiras corpudas e metidas?
 -Ora, porque não? Eu escovo os dentes.
 -Então admite que é um pegador?
 -Só quando pegar você e ou a Margo.
  Ergui as sobrancelhas, o olhei fixamente, e disse no tom mais seco que consegui
 -E o respeito? Onde é que fica? Engraçado você hem?! Até parece que a Margo vai te dar bola.
 -Porque acha que não? 
 -Você é muito confiante.
  Olhei pra cima, e pela primeira vez, notei que na relíquia, não se vê mais que vestígios do azul empalidecido do céu. O verde das arvores e borrões de pássaros voando tomam conta visão. E me perdi em pensamentos... Imagino que Ian também, pois não disse uma unica palavra enquanto meus pensamentos fluíam..
  "Margo jamais vai dar bola pra você quando eu contar a ela sobre essa conversa. Se eu conseguir contar. Se ela quiser me ouvir. Mas ela tem me ouvir. Eu tenho que pedir desculpas. Eu..." -Agatha! Ouvi meu nome e despertei do desvaneio.
 -Ian! -gritei de volta pra ser chata.   
Relíquia